Manaus, 11 de dezembro de 2018

globo1A situação é forte mesmo. O maior escândalo das eleições 2018 foi tratado de forma discreta e envergonhada pelos veículos do grupo Globo até o momento. No primeiro dia em que o escândalo explodiu houve ordens para não tratar do tema.

Chamado nas redes sociais de #Caixa2doBolsonaro, #LavaZap e #Bolsolão, entre outros, o escândalo revelado pelo jornal Folha de S.Paulo na manhã desta quinta-feira (18/10) não havia aparecido em nenhum veículo da Globo até o final da tarde de quinta.

Era como se a Globo estivesse vivendo em um outro país, um outro mundo até. Era como se nada daquilo que havia se tornado o principal assunto do Brasil no dia tivesse realmente acontecido.

O clima nas redações era tenso. E as equipes de jornalismo da casa (que reúne os profissionais da TV GloboG1.comCBNGloboNews, entre outros, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília, mostravam-se visivelmente incomodadas e contrariadas – até assustadas, em alguns casos – com o controle que se estabeleceu sobre o caso. O jornalista Renato Rovai foi um dos que recebeu relatos e denúncias nesse sentido.

Depois de muitas avaliações, reuniões, articulações e autocensura – e de pouco jornalismo e compromisso com a realidade –, a Globo finalmente tratou do assunto no Jornal Nacional da quinta-feira. Obviamente, sem dar a devida dimensão e atenção ao fato.

Análise do JN

Na análise do colunista do UOL Mauricio Stycer, a cobertura seguiu tímida: “Globo minimiza reportagem da Folha sobre ação anti-PT no WhatsApp”, destaca o título do texto de Stycer publicado na noite de quinta-feira.

Stycer aponta que “a notícia de que empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp foi o assunto do dia no Brasil” e que, “pela gravidade da denúncia, a reportagem da Folha teve enorme repercussão no meio político e na mídia”.

Para ele, “por tudo isso, chamou a atenção a timidez das principais emissoras de TV no Brasil diante do caso. A Globo, em particular, evitou repercutir a notícia da Folhadiretamente”. E explicou que “o Jornal Nacional optou por falar do caso de forma indireta, citando a decisão do PT de pedir a inelegibilidade de Bolsonaro ‘por suposto esquema de divulgação de notícias contra o PT nas mídias sociais’, como disse William Bonner”.

Stycer acrescentou que “o repórter Alan Severiano tratou do assunto por 60 segundos durante o noticiário sobre a agenda de Haddad”. Ou seja, uma denúncia que ganhou repercussão no Brasil e no mundo virou um assunto da agenda de Haddad no Jornal Nacional!

Merval, Merval…
Substantivos como constrangimento e medo poderiam descrever em parte o clima nas redações, que, segundo relatos, estariam com o ar “irrespirável” em alguns momentos. Se a emissora está a considerar a ampliação de suas pontes com o candidato, que já fechou com a Record, uma boa pista foi dada por Merval Pereira, comentarista político destacado na GloboNews e CBN.

No comentário de hoje (19/10) para a rádio CBN, Merval Pereira desempenha um novo papel: o de advogado das Organizações Globo – e, indiretamente, da candidatura de Jair Bolsonaro. Em sua análise, Merval afirma simplesmente que não há nenhuma prova do que foi dito na reportagem da Folha nem na ação do PT. Segundo ele, “há suspeitas plausíveis e indícios, mas nenhuma prova concreta”.

Dessa forma, para Merval, é muito difícil que o TSE tome alguma medida neste momento, como cassação da candidatura de Bolsonaro ou suspensão da eleição. Para ele, “isso é completamente fora de propósito”.

Ouça o áudio. E, se ficar de queixo caído como nós, envie sua mensagem para os veículos do grupo, perguntando: “Cadê o escândalo do #LavaZap na cobertura da Globo?”.

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